Hoje, dia 01 de maio de 2013, faz 19 anos que o tricampeão
mundial de Fórmula 1 nos deixou precocemente. O número 19 é também a quantidade
de voltas mais rápidas que o piloto marcou oficialmente na carreira.
Ayrton sempre foi um piloto muito rápido, porém, em situação
de corrida, por mais agressiva que fosse sua condução em situação de disputas,
Ayrton tomava certas precauções para não jogar a corrida por terra. Fazer a
volta mais rápida em uma prova não era uma das principais características do
genial piloto – Senna fez a volta mais rápida em apenas 19 oportunidades. Se compararmos
com o número de pole position, onde os pilotos buscam a primeira posição para a
largada, a contradição é enorme. Ayrton marcou 65 vezes a pole position. Recorde
que perdurou por mais de uma década.
A explicação para o número menor de voltas mais rápidas em
corrida reside, principalmente, no fato do brasileiro fazer o que era
necessário para vencer uma corrida, e nada além. Ayrton tinha como meta começar
na frente, por isso o número enorme de pole position. Durante a prova, a tática
do piloto era andar forte no começo da corrida, para abrir espaço frente aos
demais adversários, e ter maior tranquilidade na parte final da prova, onde,
invariavelmente, o equipamento estaria mais desgastado. Feito o que precisava,
Ayrton apenas mantinha o ritmo até o final da corrida. Normalmente, quando
fazia a volta mais rápida, o brasileiro estava “fugindo” de algum rival em seu
encalço, ou até mesmo no encalço de outro piloto, buscando a ultrapassagem.
Reveja as 19 voltas mais rápidas do piloto durante a
carreira na Fórmula 1:
1- Mônaco 1984 – Ayrton anotou 1m54s334 na volta 24. A
primeira volta mais rápida do brasileiro foi com a Toleman-Hart, em uma prova
em que o piloto só não venceu, em seu primeiro ano na categoria, porque a
corrida foi interrompida por causa da forte chuva. Detalhe interessante era que
Ayrton marcou a primeira de suas 19 voltas mais rápidas no carro número 19 da
Toleman. O brasileiro terminou a corrida na segunda posição.
2- Portugal 1985 – Ayrton anotou 1m44s121 na volta 15.
Corrida marcada pela primeira vitória do piloto, agora na Lotus-Renault,
debaixo de um aguaceiro no autódromo do Estoril em Portugal. Ayrton também
marcou a pole position e liderou a corrida de ponta a ponta.
3- Canadá 1985 – Ayrton anotou 1m27s445 na volta 45. Senna
abandonou a prova quando estava na segunda posição, por causa de uma pane seca
a cinco voltas do final.
4- Estados Unidos 1985 – Ayrton anotou 1m45s612 na volta 51.
Senna partiu da pole position, mas na oitava volta teve problemas com os pneus.
Voltou atrás e começou uma corrida de recuperação. Na volta 52, uma após marcar
a volta mais rápida, se envolveu em um acidente com o piloto Michele Alboreto
da Ferrari, quando tentava tomar a terceira posição do italiano. A volta de
Ayrton foi 1s7 mais rápida que a de Keke Rosberg da Williams, que fez a segunda
melhor volta.
5- Mônaco 1987 – Ayrton anotou 1m27s685 na volta 72. A pole
position foi do inglês Nigel Mansell, que teve o brasileiro em seu encalço, que
agora competia pela Lotus equipada com motor Honda. Na volta 29 o inglês
começou a perder ritmo, e foi ultrapassado por Ayrton, que a partir de então,
começou a fazer voltas rápidas atrás de voltas rápidas, para abrir o máximo que
pudesse para a Williams de Nelson Piquet, que vinha em segundo. No final, o tempo
marcado por Senna foi um segundo melhor que Piquet. Ayrton vencia ali a
primeira das seis corridas que venceu no principado, recorde até hoje
inigualado.
6- Estados Unidos 1987 – Ayrton anotou 1m40s464 na volta 39.
A habilidade de Senna para pilotar em situações extremas sempre o diferenciou,
a ponto de, das seis voltas mais rápidas que marcou até aqui, cinco foram em
circuitos de rua ou circundados por muros. Mais uma vez o brasileiro partiu
atrás de Mansell, o pole position, que fez uma troca de pneus demorada e foi
ultrapassado pelo brasileiro. Ayrton venceu ali sua última prova pela Lotus, e
assumia momentaneamente a liderança de um campeonato, do qual, brigou para ser
campeão, mesmo com um carro muito mais lento que as Williams.
7- Itália 1987 – Ayrton anotou 1m26s796 na volta 49. Nelson Piquet
partiu da pole position, e Senna da quarta posição. Ayrton demorou a parar, e
assumiu a liderança após os demais pilotos pararem. O brasileiro pretendia
seguir até o final com os pneus gastos, porém, na volta 43, o brasileiro saiu
da pista quando se aproximava para colocar volta em um retardatário, sendo
ultrapassado por Piquet. Ayrton recuperou-se e voltou pulverizando o
cronômetro. Marcou a melhor volta quando faltavam dois giros para o final, e
ainda chegou a apenas dois segundos de Piquet, que marcou a segunda melhor
volta da prova também na volta 49, apenas 0,062 mais lento que Ayrton.

8- Mônaco 1988 – Ayrton anotou 1m26s321 na volta 59. Era
apenas a terceira corrida de Ayrton pela McLaren-Honda, que, ao que tudo
indicava até ali, iria impor uma das derrotas mais humilhantes da carreira do
francês Alain Prost, que competia pela mesma equipe do brasileiro. Senna partiu
da pole position, 1,5s mais rápido que o segundo Alain Prost e, dominou a corrida
como poucas vezes visto na categoria. Senna chegou a abrir 54 segundos de
vantagem para o francês, e estava determinado a vencer com uma volta de vantagem,
quando perdeu o controle de sua McLaren na entrada do túnel. Prost venceu, e
Ayrton mudou a sua maneira de pilotar, arriscando menos a partir de então.
9- Canadá 1988 – Ayrton anotou 1m24s973 na volta 53. Senna
partiu da pole position, mas foi ultrapassado pelo francês Alain Prost. Na
volta 19 o brasileiro ultrapassou o francês e seguiu para vencer a prova.
10- Japão 1988 – Ayrton anotou 1m46s326 na volta 33. Senna
partia da pole position para a corrida que poderia lhe consagrar como o novo
campeão da Fórmula 1. Na largada o motor de Ayrton falhou, e o brasileiro foi
ultrapassado pela maior parte do grid, fechando a primeira volta na posição de
número 14. A recuperação de Ayrton foi fantástica, e na volta 20 o brasileiro
alcançou a segunda posição, a 11 segundos de Prost, que seguia com problemas de
câmbio. Na volta 27 Senna superou Prost, e liderou até o fim, conquistando a
vitória e o título mundial pela primeira vez.
11- Estados Unidos 1989 – Ayrton anotou 1m33s969. Era a
primeira prova na cidade de Phoenix, e a nova pista de rua seria mais uma vez
dominada pelo campeão. Ayrton marcou a pole position e sumiu na liderança. Na
volta 44 o brasileiro teve uma pane elétrica, e Alain Prost herdou a vitória. A
volta mais rápida de Senna foi 1s mais rápida do que a melhor volta de Prost.
12- Alemanha 1989 – Ayrton anotou 1m45s884 na volta 43.
Ayrton partiu da pole position com 1s de vantagem para Alain Prost. Na largada
o brasileiro chegou a ser ultrapassado pelo austríaco Gerhard Berger da Ferrari,
mas deu o troco rapidamente. Uma parada desastrosa da McLaren fez Senna perder
a liderança para Prost, mas Ayrton imprimiu um ritmo forte, superando o francês
e vencendo a prova.
13- Espanha 1989 – Ayrton anotou 1m25s779 na volta 55. Era o
ápice da guerra psicológica entre o brasileiro e o francês. Ayrton enfrentava
uma forte maré de azar, tendo abandonado por quebra ou acidente várias corridas
em que o francês não tinha chances de vencê-lo. Ayrton era o piloto mais
rápido, sob qualquer aspecto. Fez a pole position com 1s1 de vantagem para
Prost, o segundo. Senna liderou a corrida de ponta a ponta e venceu com um
minuto de vantagem para o francês, que por chegar tão atrás, nem deveria ter
subido no pódio em segundo...
14- Mônaco 1990 – Ayrton anotou 1m24s468 na volta 59. Em
Mônaco Ayrton reinava dominante, e a melhor volta da prova, em uma corrida no
principado era consequência natural. Prost, após dois anos dividindo a McLaren
com Senna estava agora na Ferrari, e tomou outra surra. O brasileiro venceu a
corrida de ponta a ponta, com a melhor volta quase um segundo mais rápida que a
marcada pelo francês.
15- Itália 1990 – Ayrton anotou 1m26s254 na volta 46. Senna
venceu a prova abrindo 16 pontos de vantagem para Prost, que corria em casa
pela Ferrari. E a propagada “maldição de Monza”, como diziam os italianos, se
voltou contra o feiticeiro.
16- Itália 1991 – Ayrton anotou 1m26s061 na volta 41.
Exatamente um ano depois da última vez em que tinha feito uma volta mais rápida,
e arrancado de vez para o título de 1990, Ayrton fez em Monza mais uma corrida
espetacular, desta vez enfrentando na disputa pelo título o inglês Nigel
Mansell da Williams, que possuía um carro já naquele ano superior à McLaren de
Senna. O brasileiro não venceu, porém, fez uma grande corrida, sendo
ultrapassado por Mansell na volta 34. O brasileiro foi para os boxes, caiu para
o quinto lugar e voltou pulverizando o cronômetro, ultrapassando três
adversários e terminando em segundo lugar. Posição que foi decisiva para a
conquista do tricampeonato.
17- Japão 1991 – Ayrton anotou 1m41s532 na volta 39. Se
Ayrton chegasse à frente de Mansell sairia de Suzuka com o tricampeonato. Gerhard
Berger, seu companheiro na McLaren partiu da pole position, com Senna em
segundo e Mansell em terceiro. Após a largada as posições foram mantidas e
Ayrton passou a andar em um ritmo mais lento, permitindo que o parceiro da
McLaren abrisse na liderança e, provocando a ira do inglês, que precisaria
ultrapassar os dois carros de Woking
para ser campeão. A tática deu certo, Mansell errou na curva ao final da
reta dos boxes de Suzuka, saindo da pista e coroando o brasileiro com o tricampeonato
na nona volta. Senna passou a acelerar forte e na volta 18 encostou e
ultrapassou Berger. Na última curva Ayrton cedeu a vitória ao companheiro de
equipe, por sugestão do chefe Ron Dennis.
18- Portugal 1992 – Ayrton anotou 1m16s272 na volta 66. A
única volta rápida que marcou na temporada, marcada pelo domínio avassalador
das Williams de Nigel Mansell e Ricardo Patrese. Ayrton se classificou em
terceiro para a corrida, ou o primeiro do “resto”, como o brasileiro costumava
brincar. Mansell venceu pela nona vez na temporada, garantindo o título com
cinco provas de antecipação, mas Senna marcou ali a volta mais rápida da
corrida, impressionantes 0,865 mais rápido que o imbatível carro do inglês.
19 – Europa 1993 – Ayrton anotou 1m18s029 na volta 57. Em
mais um ano com equipamento pouco competitivo, Ayrton guiava uma McLaren
equipada com um raquítico motor Ford, mas mesmo assim chegou a liderar o
campeonato e a ameaçar o francês Alain Prost, que tinha como certa a conquista
do título guiando o carro de outro mundo da Williams. Nesta corrida realizada
em Domington Park, na Inglaterra, o mundo assistiu admirado a uma das maiores
exibições de um piloto na categoria. Senna largava apenas em quarto, debaixo de
uma forte chuva, e caiu para quinto na largada. Ainda na primeira volta o
brasileiro parecia correr sozinho, e foi ultrapassando todos os pilotos,
abrindo a segunda volta em primeiro lugar, para não mais sair da posição e
terminar a corrida com ampla margem de 1m24s de vantagem para o inglês Damon
Hill da Williams, que foi o segundo, e uma volta de vantagem para Alain Prost,
o terceiro. A volta mais rápida foi marcada de forma pouco usual - Ayrton
passou pelos boxes sem parar para troca de pneus, concluindo assim a volta pelo
pit-lane, marcando a melhor volta da corrida dentro dos boxes. Diz a “lenda”
que Senna percebeu que pelos boxes a pista era um pouco mais curta, e resolveu
tirar a história a limpo. Como na época não existia limite de velocidade nos
boxes, Ayrton passou a toda pelas equipes. A volta foi 1s3 mais rápido que a
segunda melhor marca de Damon Hill. De maneira pouco usual, Ayrton estava
certo, a pista era mais curta passando pelos boxes... A última e mais
fantástica volta mais rápida em corrida da carreira de Ayrton Senna, e claro,
da forma que apenas um gênio poderia marcar!
A polêmica do GP do Japão de 1989
Ayrton Senna também anotou a melhor volta no GP do Japão de
1989, em Suzuka, quando decidia o título mundial contra o francês Alain Prost
da McLaren. Senna fez um tempo em corrida meio segundo mais rápido que o
francês, porém, como Senna foi vergonhosamente desclassificado após vencer a
corrida, onde levou uma fechada do francês, Ayrton teve a vitória e a volta
mais rápida cassada. Portanto, Senna marcou em condições de corrida 20 voltas
mais rápidas, mas oficialmente são contadas apenas 19. Ayrton anotou o tempo de
1m43s025 na volta 38 da corrida japonesa. Prost anotou e foi oficialmente
registrado como a volta mais rápida ao marcar 1m43s526, na volta 43.
Saudades campeão!